Precisamos falar sobre suicídio e automutilação.

32 brasileiros morrem POR DIA (!) vítimas de suicídio. E o assunto ainda é um grande tabu. Hoje nossa assessoria de esportes Equipe Sports Mix e a Polícia Civil fizeram uma ação de conscientização na Praia Vermelha para  aproveitar o Setembro Amarelo e falar sobre este fato tão triste para todos os envolvidos.

Meu primeiro contato com este tema foi quando eu ainda era muito criança na minha Piracema – MG. Um jovem pôs fim à sua vida, mas na minha casa eram só sussurros. Não podíamos perguntar nada sobre o assunto. Trabalhei por 23 anos em hotelaria e infelizmente este é um dos lugares preferidos para se suicidar. Em busca de proteger a família de presenciar o fato ou de se deparar com o cenário muitos preferem a solidão de um quarto de hotel. E aí também o assunto é tratado a sete chaves.

Existe a crença sobre a qual, quem fala do suicida ou do ato é influenciado a fazer o mesmo, ou pode levar outras pessoas a ter o mesmo impulso. E por isto, até mesmo a mídia não fala abertamente sobre o assunto. Mesmo que seja uma pessoa pública, um figurão, o assunto é tratado de forma muito superficial.

Foi  publicada, em 29abril deste ano, no Diário Oficial da União, a  Lei nº 13.819/2019 que institui a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio. Ela prevê notificação compulsória, que deverá ter caráter sigiloso e vale para os casos de tentativa de suicídio e automutilação por estabelecimentos de saúde, segurança, escolas e conselhos tutelares. Isto talvez traga mais luz sobre este tema tão difícil.

De acordo com o CVV – Centro de Valorização da Vida, em uma sala com 30 pessoas, 5 delas já pensaram em suicídio!

Fatores como a menopausa e a andropausa podem contribuir para o aumento da depressão e por consequência o pensamento suicida. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os idosos são o grupo populacional que apresenta maior risco para o suicídio. Apesar disto, autoridades da área de saúde pública, mídia e pesquisadores, quando resolvem fazer alguma ação de prevenção, focam na população mais jovem. No Brasil, cerca de 1.200 pessoas com 60 anos ou mais morrem a cada ano em decorrência de suicídio.

Em uma matéria da Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul[SL1] [SL2] ,  uma especialista explica que o idoso verbaliza de alguma forma que está idealizando este ato, usando expressões como: “estão todos bem e não precisam mais de mim”; “não quero incomodar ninguém, já vivi demais”; “meu último compromisso era ver meu filho encaminhado”, “estou cansado de viver”.  Também podem passar a ter mudanças repentinas de comportamento, como desinteresse por atividades antes consideradas prazerosas, descuido com a alimentação, medicamentos e aparência, desejo súbito de distribuir pertences, bens, patrimônio e herança.

“Esses sinais muitas vezes são uma forma de despedida silenciosa da vida e não devem ser negligenciados por familiares, amigos e profissionais de saúde”.

Psicóloga Claudia Weyne Cruz, especialista em saúde da Escola de Saúde Pública (ESP/RS)

Os idosos se deparam com mudanças que muitas vezes não estão prontos para vivenciar como aposentadoria, impossibilidade de exercer a profissão por questões físicas e psicológicas e surgimento de doenças crônicas. Outras perdas de identidade estão ligadas a questões relativamente simples do cotidiano: privação de objetos individuais e particulares, troca de casa para morar com os filhos ou ida para uma casa de apoio, abrir mão do seu jeito de levar a vida em favor de outros adultos que passam a dominar a cena familiar, mudança de quartos confortáveis para outros menores e mais restritos (às vezes na própria casa),  ou seja, com perda da autonomia relativa aos seus bens, de liberdade e dificuldade para expressar suas necessidades.

 Todas estas perdas podem causar uma espécie de morte social e subjetiva. Esse sentimento se traduz em isolamento, angústia e dificuldades no relacionamento, diz um estudo sobre as Circunstâncias que envolvem o suicídio de pessoas idosas.

Foto por Matthias Zomer em Pexels.com

O suicídio pode ser prevenido?

Devemos ficar todos atentos quanto aos sinais.
As pessoas que pensam em suicídio podem receber ajuda para reverter a situação. Uma das formas é oferecer um ouvido acolhedor, deixando que a pessoa coloque para fora seus sentimentos, ideias, valores. A vontade de viver quase sempre é maior que o desejo de se autodestruir. Uma grande ajuda  é o CVV, Centro de Valorização da Vida, uma rede voluntária de prevenção que  há quase 60 anos oferece apoio emocional gratuito através do telefone 188 ou do seu site www.cvv.org.br. Também existem programas de saúde pública que oferecem esse serviço em algumas regiões do país, como a CAPS ( Centros de Atenção Psicossocial) e CRAS Centro de Referência de Assistência Social.

Em quase todos os casos, não há necessariamente vontade de morrer, mas de acabar com o sofrimento, encontrar a paz, um alívio, interromper de imediato os tormentos. A pessoa não enxerga uma saída para a dor latente e pôr fim à própria vida parece ser uma solução. Mas esta reação encontra uma resistência no instinto de sobrevivência  de todo ser humano. Entre o conflito de se autodestruir e a vontade de viver existe uma possibilidade de buscar ajuda e reverter o quadro.

Segundo cartilha da CVV não existe receita para prevenção do suicídio, mas alguns fatores podem contribuir para que os pensamentos suicidas não dominem:

  • Manter bom nível de autoestima
  • Ter suporte familiar
  • Alimentar alguma crença espiritual ou religiosa
  • Cultivar o sentimento de utilidade social.

Portanto estejam atentos na proteção das pessoas idosas ao seu redor,  sobretudo, para que se sintam úteis, ativas e socialmente integradas. Os que vão perdendo a autonomia física, psicológica e econômica, necessitam de mais cuidados.

E caso você conheça alguém que foi impactado e está enlutado pelo suicídio, existe a posvenção. São atividades que dão suporte emocional aos que tiveram perda de amigos e familiares e também aos sobreviventes da tentativa de suicídio.  Estas pessoas geralmente carregam um forte sentimento de culpa e vergonha, se sentem fracas e se isolam ainda mais, caso não sejam cuidados a situação pode agravar ainda mais.

Além do CVV, existem outros grupos que podem dar este suporte: como Vita
Alere,
Nomoblidis, entre outros.

Seja um ombro amigo, acolhedor ou se precisar procure ajuda. Somos parte de um todo, somos todos vulneráveis. Vamos exercer nossa humanidade com compaixão, esperança e amor.


 [SL1]

 [SL2]

Foto por Ayyub Yahaya em Pexels.com

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