Violência doméstica durante o isolamento imposto pela pandemia covid-19

A quantidade de denúncias de violência doméstica, principalmente contra as mulheres, desde que começou o  isolamento social imposto pela pandemia têm crescido assustadoramente. De acordo com pesquisas em redes sociais, os relatos aumentaram 431% desde que começou a quarentena.

Os estudos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontaram em abril que todos os índices estavam em crescimento em todos os estados brasileiros, com tendência de aumento a partir do prolongamento do tempo de convivência forçada.

Acesse aqui a publicação completa

E as histórias são muito parecidas e existem muitas “Marias” passando pelo mesmo neste momento. No começo do namoro, o príncipe é um encanto. Embora dê sinais de querer controlar a situação, a implicância com o tamanho e a cor da roupa, a maquiagem mais caprichada, o cabelo penteado de certo modo, ou com a gargalhada solta, tudo parece um ciúme charmoso.

Foto por Kat Jayne em Pexels.com

Depois que a relação passa a ser mais sólida e o “homem dos sonhos” se sente o dono da situação, as agressões começam a ficar mais pesadas. As agressões verbais se intensificam e a vítima demora muito tempo para perceber que aquele é um relacionamento tóxico. A violência pode ser de várias formas: moral, psicológica, patrimonial, sexual e física. As agressões aumentam e a vítima se sente cada vez mais impotente para sair da situação, ou sua fragilidade já tão forte diante do que está acontecendo que ela não sabe a quem recorrer, já que o agressor “isolou ela do mundo”, afastando da família e dos amigos. Ela então, aos olhos de outros, passa a ser a doida, a complexada, a deprimida ou a bruxa do pedaço.

E este ciclo de abuso se mantém, como bem descreve Dora Figueiredo, neste vídeo:

E os abusos a  violência dentro do isolamento que o agressor impõe ou acarreta em “tempos normais” é facilitado pelo isolamento social da quarentena. Os estudiosos frisam  que ninguém se torna violento por causa do isolamento imposto pela covid-19.  A  a violência é um padrão aprendido em casa ou na sociedade, 70% das pessoas  que praticam violência vivenciaram a violência ao longo de em sua própria vida.  

Porém, existem fatores de risco que funcionam como faíscas para detonar a violência pré-existente. Tais como o isolamento da vítima, maior controle, aumento do consumo de álcool e drogas e problemas econômicos. Fatores que foram aumentados neste período. E é muito difícil ou quase impossível que a pessoa agredida saia do turbilhão sem ajuda.

Como mudar o panorama da violência contra as mulheres?

  • Denúncia contra o agressor
  • Redes de apoio
  • Plataformas de ajuda
  • Empoderamento feminino
  • Reforço de leis

Nos últimos anos houve uma maior conscientização e redes de apoio passaram a ser construídas para a libertação da vítima de violência doméstica.

Para ajudar as mulheres a comunicar a agressão, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) lançaram a campanha Sinal Vermelho para a Violência Doméstica. Como na maioria das vezes o agressor não permite que a vítima sequer vá à farmácia sozinha, a campanha foi criada para que os atendentes posam identificar por um x feito com batom ou caneta vermelha a pessoa que está solicitando ajuda. De forma discreta, pega telefone ou endereço e acione a polícia. Muitas grandes redes como Santa Lúcia, Pague Menos, Pacheco e Drogasil já aderiram a campanha. 

Marque um x vermelho na palma da mão e peça socorro.

Para maiores informações a AMB lançou uma cartilha para as vítimas e outra para as farmácias, ambas podem ser encontradas diretamente no site.

Outra excelente iniciativa foi a lançada pelo Magazine Luiza. Dentro do aplicativo existe um botão para pedir ajuda. Uma das peças da campanha que aparece a personagem virtual  da Magalu diz “ Ei moça, finja que vai fazer compra no app Magalu. Lá tem um botão para denunciar a violência contra a mulher”. Outras  através de seu instagram, tem feito campanhas de maquiagem para “esconder manchas e marquinhas.”

Segundo Luiza Trajano, presidente do Conselho da rede varejista, em entrevista ao Jornal O Estado de São Paulo, houve aumento no número de uso do botão nos meses de abril e maio. Um aumento em torno de 400% em relação ao mesmo período do ano passado.  

Para realizar a denúncia, é preciso acessar o aplicativo Magalu  e ir em Sua Conta. Depois, basta clicar em Denuncie Violência Contra Mulher. O botão está conectado ao canal de denúncias 180, do governo federal

A empresa Natura que detém a marca Avon também está somando às iniciativas de enfrentamento da violência contra mulheres. Nas redes sociais da Avon, a hashtag #IsoladasSimSozinhasNão vem acompanhada de materiais sobre saúde mental, prevenção, rede de apoio e canal de denúncia. O Instituto Avon, em parceria com as plataformas Papo de Homem e Quebrando o Tabu, produziu uma série de conteúdos digitais que tem sido publicada nas redes sociais do Instituto. Os objetivos são trazer dicas sobre como cuidar da saúde mental durante o período de confinamento, auxiliar as mulheres a identificarem os sinais de relações abusivas e mostrar que elas não estão sozinhas, apresentando as várias formas que elas podem pedir ajuda.

A Natura patrocinou também uma minissérie sobre a temática com cinco episódios para o podcast Mamilos, disponíveis para todos os públicos, em plataformas de streaming como Spotify e Deezer.

Outra grande parceria lançada pelo instituto foi a parceria entre Instituto Avon, Uber e Wieden+Kennedy. A vítima pode pedir ajuda através do whatsapp pelo número (11) 94494-2415. Sem despertar a atenção do agressor responde algumas perguntas para identificar o grau de risco que ela corre e a partir daí  recebe o suporte apropriado. 

Caso seja necessário buscar um hospital, unidade de saúde, delegacia ou um centro de atendimento que presta serviço e assistência social e psicológica e orientação jurídica às mulheres em situação de violência, a mulher receberá um código promocional para solicitar uma viagem de forma gratuita no aplicativo da Uber e se deslocar com independência. 

No Canadá surgiu uma campanha bem adequada para os tempos atuais. Um vídeo divulgado pela Canadian Women’s Foundation (CWF), que luta pela igualdade de gênero e empoderamento feminino, quer ajudar mulheres a denunciar violência doméstica mesmo estando em casa, respeitando a quarentena. A ideia é disseminar um sinal silencioso com as mãos para que as vítimas possam falar dos abusos que sofre durante uma videoconferência, prática tão disseminada com a implantação dos home offices.  

No vídeo, uma mulher conversa com outra através das plataformas de videoconferência.  Durante a conversa, de forma casual, ela levanta a palma de uma das mãos, fecha o polegar (fazendo uma espécie de “4”) e, em seguida, abaixa todos os dedos, ficando de punho fechado por alguns seguidos. Esse sinal indica que ela está sendo vítima de violência doméstica.

A cada hora, 536 mulheres são agredidas no Brasil, chegando a  cerca de 13 mulheres mortas por feminicídio  todos os dias. A lei Maria da Penha já tem 13 anos e ainda não foi implementada na íntegra. Vários  artigos  ainda não foram colocados em prática. Não temos Centros de Referência de Atendimento às Mulheres, por exemplo, nem em 10% dos mais de 5.000 municípios do país. No entanto, o número de projetos de lei que tentam alterar a Lei, cresceu seis vezes em 2019: de 14, em 2018, para 81 proposições, segundo levantamento do Elas no Congresso, plataforma de monitoramento legislativo da Revista AzMina.

Enquanto Brasília se debate com os problemas familiares, envolvimento com milicianos e troca de ministros, a população, principalmente as mulheres, se vêm entre se proteger da Covid-19 ou do agressor do lado.

Denuncie se souber de qualquer ato, somente nos ajudando podemos diminuir este festival de horrores.

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