Luxo contemporâneo

Nos últimos anos o conceito de luxo sofreu uma transformação. Se antes luxo era hotel 5 estrelas coberto de mármore Carrara,  joias com pedras gigantes,  carros com edição limitada, o luxo contemporâneo   tem mais a ver com a personificação, ou como cada um vive uma experiência. O luxo atual tem mais a ver com a vivência, substituindo a acumulação, o uso em vez da posse e cada vez menos com a ostentação. No tempo em que os recursos mais escassos da nossa vida eram aqueles que não podíamos comprar: tempo, emoções, relações, convivência com filhos, pais, cônjuges – ostentar posses começou a ficar desvalorizado.



O luxo contemporâneo está ligado a experiências não tangíveis, aquilo que o dinheiro sozinho não pode comprar. Dizer que a ostentação não existe mais é um exagero. Mas a economia do compartilhamento permite que todo mundo pode ter acesso a bens e produtos, mesmo que seja por pouco tempo, que antes ficava restrito a alguns privilegiados. Antes a exclusividade, agora a autenticidade.

Os padrões de consumo antes estudados por segmentos demográficos como idade, gênero, localização, renda, status social entre outros, terão que ser reinventados, combinando estilos de vida, causas defendidas, grupos frequentados, etc.

Se antes da pandemia os estudos já apontavam para este comportamento, no “novo normal” a tendência é que o luxo seja sutil, discreto, quase invisível e pouco tangível.  Cada vez mais ligado a  sensações e  emoções.


Se antes alguns atributos que sempre estiveram ligados à ideia de luxo, como a distinção, o reconhecimento e  prestígio social e profissional, novos valores passaram a ser incorporados ao conceito como mobilidade, convivência e conexão,  por exemplo.


Neste sentido, o distanciamento provocado pela Covi-19 , o luxo passou  a trazer uma ideia mais prática de vida: não ficar horas no trânsito, trabalhar de casa, comer bem seja comida caseira ou trazida pelos aplicativos,  resolver coisas chatas rapidamente pela internet, cultivar hortaliças e flores em casa, abrir mais espaço  para relações afetivas, pequenas indulgências, flexibilidade e tempo disponível para praticar seu hobby favorito, etc. Conseguir viver consigo mesmo, se expressando  sem buscar a aprovação do outro e de valorizar  cada vez menos o status da ostentação que nos distancia do sentido de viver livre e plenamente. Passamos a ressignificar o sentido das nossas atividades, da forma como consumimos serviços e produtos, da forma como fazemos planos e projetos e como enxergamos o outro.

Nestes dias, estou vivendo o luxo de estar num refúgio: o sítio de minha irmã Stael, que disponibilizou uma área para que eu fizesse quarentena depois de, por necessidade, ter me exposto um pouco mais a possível contágio. Aqui estou vivendo o contato com a natureza, o cheiro do mato, o frio das noites serenas, o barulho dos pássaros e dos animais.

As fotos mostram um pouco deste lugar mágico. E você, qual o seu luxo nos dias atuais? Me conte um pouco como você está se tratando luxuosamente no meio deste

1 comentário

  1. Fez muito bem de ir para o seu mato preferido! Adorei ver a vista da janela (sempre que chego em qualquer lugar numa viagem, faço uma foto indispensável que chamo de “a room with a view”, como se pudesse agarrar um pedacinho de memória). Também feliz por ver a coleção dos cobres, tão linda e reluzente, que completou seu ciclo de me dar alegrias e agora faz isso por outra pessoa tão querida. Viver o desapego e viajar no fluxo é o maior luxo que podemos ter!

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