Como lidar com o luto e a dor da perda?

Dizem que a única certeza que temos é que vamos morrer. Apesar disto não estamos preparados para a perda de nossa vida e nem da de quem amamos.

Dizem que todas as nossas fobias derivam de nosso medo da própria morte, pois não lidamos bem com o desconhecido. Neste turbilhão de coisas acontecendo com nosso mundo que chamávamos de “normal”, temos que lidar com todas as incertezas e a concretude da morte.

Foto por Pixabay em Pexels.com

Sei que o Coronavírus (Covid-19)  veio arrebatador para nos jogar no mar das incertezas de todos os tipos, o medo de perder o emprego ou a empresa, o medo do colapso financeiro geral, o medo de morrer e o medo de perder quem amamos, ainda mais por uma falta de cuidado nosso.

Já vivi várias situações de luto. Já perdi mãe e pai. Já perdi sobrinhos e cunhados. Infelizmente a morte chegou de novo para pessoas que amo. Nos últimos 15 dias perdi meu Tio Cici e Antonio, marido de uma amiga de mais de 40 anos, e pessoas de minha convivência estão perdendo amigos e familiares quase todos os dias.

Como lidar com tanta dor?   Como lidar com este vazio?

Muitos psicólogos costumam classificar o luto em etapas que podem variar de pessoa para pessoa:

1 – Negação

Fase em que não conseguimos assimilar a realidade e alimentamos pensamentos de como voltar a situação anterior à perda. Criamos pensamentos fantasiosos de que aquilo não passa de um pesadelo e que de alguma forma não aconteceu.

2 – Raiva

Buscamos um culpado pela grande perda e dor e direcionamos a raiva a pessoas envolvidas na situação. Médicos, familiares, governos, pessoas do convívio ou até nós mesmos. É por isso que a raiva também se manifesta na sensação de culpa.

3 – Negociação

A negociação assemelha-se muito à negação. É a fase em que buscamos uma solução para alterar o que aconteceu. Pensamos em tudo que podíamos ter feito diferente para alterar o rumo da situação.

4 – Depressão

A dor e a tristeza ficam mais fortes, já não há mais como fugir.  As sensações de cansaço, desinteresse, desconexão e solidão fazem parte da fase de depressão.

5 – Aceitação

A saudade sempre irá existir, mas a fase de aceitação costuma vir acompanhada de uma sensação de paz, de resignação e ressignificação. Após a compreensão do acontecimento é possível enxergar novamente perspectivas para a vida.

No caso da pandemia, me parece que fica ainda mais difícil passar de uma fase a outra pela enxurrada de situações diferentes que temos que lidar. Numa morte em tempos normais, há o velório, o abrigo de braços amigos, a despedida por horas em contato com a realidade, com a visão do corpo. 

Agora tudo isto é negado. A pessoa sai de casa, entra no hospital e nunca mais você volta a ver. Não nos é dado nem o consolo do último adeus. É simplesmente arrancado de sua vida e você não pode compartilhar com os seus amigos e familiares, não pode chorar junto. Além da dor da perda, a solidão esmaga ainda mais o coração. A dor chega a ser física.

Segundo os psicólogos é muito importante o diálogo para ajudar a superar esta dor. Se você está passando por esta fase, use as ferramentas tecnológicas, chamadas de vídeo podem ajudar bastante,   converse sobre sua perda. Escolha uma pessoa de sua confiança e conte o que sente, fale como tudo aconteceu.

E se você tiver do outro lado, ofereça seu ouvido, seu abraço virtual, faça-se presente, mesmo estando longe.

Não torne a morte um tabu. Tem pessoas que dizem “não sei o que falar, portanto, não vou ligar”. Fale menos e ouça mais. Deixe a pessoa falar. Muitas vezes ela quer contar detalhes. Relembre as experiências vividas com a pessoa querida, momentos especiais e histórias marcantes. O diálogo faz com o que o assunto se torne mais natural e que possamos encarar com mais força a situação.

Lembre-se que as 5 etapas não acontecem cronologicamente. A pessoa pode passar de uma fase a outra e o período de tempo pode levar dias ou anos. Reações e sentimentos podem se misturar e se intercalar de forma bastante caótica. Especialmente no princípio do processo de luto, quando as emoções estão naturalmente afloradas.

Acontecimentos podem resgatar sensações que se julgavam superadas. Datas específicas, imagens, lugares, cheiros, músicas… Tudo pode suscitar uma lembrança afetiva, capaz de despertar outras dores, outras emoções.

É importante deixar vir este sentimento. Isto é um testemunho de que o amor que sentimos não foi esquecido. O ente querido é parte de nós. Vive em nossa memória. 

Em nossas lembranças, podemos homenagear quem se foi. Honrar sua memória. Encontrar gratidão pelo tempo desfrutado juntos.

Foto por Irina Anastasiu em Pexels.com

Escrevi este post baseado em meus próprios sentimentos e pesquisando em sites de psicólogos. Não sou profissional, mas já recorri a eles nas minhas angústias de perdas e me ajudou bastante. Também os amigos foram essenciais nos meus momentos mais difíceis.

O acompanhamento psicológico não elimina a dor, mas ajuda a entender nossos sentimentos e a melhor lidar com eles.

Se você quiser compartilhar sua história, eu ficarei honrada em receber sua mensagem. Conte comigo. Meus ouvidos e meu coração estão à sua disposição.

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