Síndrome do Intestino Irritável e a dieta Low FODMAP

Nos últimos meses tenho virado uma espécie de consultora leiga sobre a síndrome do intestino irritável (SII) e divulgadora da dieta Low FODMAP.

Impressionante como a quase todos os lugares, quando me veem lutando para escolher o que comer ou faço algum comentário, tem sempre alguém por perto que vai dizer que a prima, tio, mãe, amiga, etc. estão com os mesmos sintomas e começam a pedir dicas.

Eu entendo o desespero, porque a luta até meu diagnóstico foi muito longa. Em maio escrevi um post falando sobre minha ida aos médicos e alegre por finalmente ter descoberto minha intolerância á lactose. Sabia de nada, inocente!

Mesmo cortando os lácteos, o desconforto continuava, como se existisse um mostro habitando minha barriga, e eu continuei batendo de porta em porta de diferentes médicos onde me via falando do formato e frequência do cocô, como quem fala de uma nova moda de saia. 

E mesmo depois do finalmente diagnosticada, ainda peregrinei por especialistas (gastro, homeopata, proctologista, nutricionista, acupunturista) e não achava um caminho onde pudesse enxergar uma saída.

Mas afinal, o que é síndrome do intestino irritável ? A SII é um distúrbio do trato digestivo que provoca sintomas variados, mas geralmente incluem dor abdominal inferior, distensão abdominal, gases e constipação e/ou diarreia. O intestino, considerado o segundo cérebro inflama e causa muitas outras consequências, uma delas pode ser a depressão (ainda bem que não é o meu caso). Além de bem delicado a síndrome pode ter causas diferentes e o tratamento varia muito de pessoa para pessoa, por isto se torna tão difícil.

De qualquer forma dieta Low FodMap ajuda a diminuir muitos os sintomas em todos os casos.

O que é  FODMAP?  “Fermentable Oligo-, Di-, Mono-saccharides And Polyols“. Ou seja,  alimentos ricos em: Oligossacarídeos, Dissacarídeos, Monossacáridos e Polióis Fermentáveis. Sendo mais clara, são hidratos de carbono de cadeia curta que por não serem bem digeridos no intestino delgado passam para o intestino grosso onde, quando em contato com a microbiota intestinal (bactérias), causam flatulência, dor e cólicas abdominais, distensão abdominal e alterações de motilidade intestinal. Portanto, os alimentos ricos nestas substancias causam ou aumentam os sintomas da SII.

E os alimentos são os mais diversos: Desde uma singela maçã, uma aparentemente inocente água de coco, até cereais e derivados à base de glúten como trigo, centeio e cevada, leguminosas como o feijão, grão, ervilhas e lentilhas, leite (devido à lactose) e alguns adoçantes. Mas além, destes, o mais difícil para nós brasileiros, são os temperos, como alho e cebola. Como somos acostumados a colocar estes ingredientes  em quase toda a comida, se torna um desafio comer fora de casa.

As dietas baixas em FODMAPs – “Low FODMAP Diets” surgiram  na Universidade de Monash, em Melbourne, Austrália, como estratégia terapêutica para a melhoria dos sintomas . Ela recomenda a  substituição os alimentos ricos em FODMAPs por alimentos com baixo teor de FODMAPs dentro do mesmo grupo alimentar (ex. substituir a maçã pelo kiwi).

A ideia é  eliminar alguns alimentos e evitar outros por 6 a 9 semanas, até que melhore os sintomas inflamatórios do intestino. Após esse tempo, os alimentos ricos em FODMAPs são lenta e gradualmente reintroduzidos na alimentação. É nesta fase  que começa a personalização, pois cada pessoa tem reações  diferentes para cada alimento, às vezes tolerando um alimento em baixíssima quantidade, mas não em consumo normal. Ou seja, uma longa caminhada de conhecer a si mesmo.

O tratamento também deve ser visto de maneira bem ampla, pois fatores como o stress, o tabagismo, a qualidade do sono e o sedentarismo dificultam a eliminação dos sintomas.

Além da minha médica atual Dra. Samanta Miranda (gastro, nutróloga e medicina ortomolecular) , também uso aplicativos de celular que listam e separam os alimentos em categorias e sigo com exercícios físicos, medicação e na medida do possível maior tempo com os amigos e lazer. Também faço parte de grupos de apoio de pessoas com o mesmo problema e procuro cozinhar com os ingredientes permitidos.

Se você quiser dicas ou puder contribuir com conselhos, será um prazer falar com você. Deixe seu comentário abaixo e inscreva para receber outros posts.

3 comentários

  1. Nossa, que coisa complexa! Incrível como essas síndromes são investigadas, ainda bem. Qual é a causa, alguém sabe? Genética, algum químico alimentar que dispara a inflamação?

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    1. Pat, estima-se que entre 12 a 15% da população sofre com esta síndrome, muitos não diagnosticados. Homens sofrem mais com diarreia e as mulheres com prisão de ventre. As causas ainda estão sendo estudadas, mas a maioria aparece após cirurgias, partos, estresse e depressão que pode ser causa ou consequência, uma alimenta a outra. E estão investigando a possibilidade de que esta síndrome esteja relacionada a parkinson , alzheimer e esclerose multipla.

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