Quem vai cuidar de mim quando eu envelhecer?

Antigamente, falar a palavra “asilo” dava arrepios em qualquer pessoa mais velha. Existia uma associação imediata com abandono e um lugar feio, cheio de enfermeiros e pessoas dementes, ou seriamente doentes. Era como se a família se livrasse dos velhinhos numa espécie de ante-sala da morte.

Na modernidade, fala-se de coabitação senior, ou residenciais especiais para a terceira idade. São lugares bonitos, com muita ativação social e cultural, por vezes unidades de moradia independentes e apenas os locais de interação são compartilhados. Também apareceu o modelo inter-geracional, que mistura velhos e jovens num saudável intercâmbio. (já falamos de ambos aqui em um artigo em 2019)

Vivo uma realidade interessante: não tive filhos. E como eu, diversas amigas também não tiveram, o que nos leva a conversar frequentemente sobre como será nosso futuro quando o corpitcho ou a cabecinha já não estiverem tão afiados. Deus nos livre de ficarmos seriamente doentes e incapacitados, mas pode acontecer… Quem vai cuidar de nós? Claro que ter filhos não é garantia de nada, pois cada um segue sua vida e o mundo está cheio de histórias de ingratidão. Minha mãe e minha tia cuidaram durante anos de uma tia-avó, que era uma viúva sem profissão, renda e filhos.

Meu pai e seu delicado equilíbro entre a dependência e a autonomia

Atualmente vejo meu pai com uma doença degenerativa progressiva, demandando ajuda para praticamente tudo. Como eu e meu irmão moramos em outra cidade, ele é cuidado pela esposa e um grupo de empregadas/acompanhantes, e vive numa queda-de-braço permanente com elas, entre a dependência física e a vontade de tomar suas próprias decisões, algo tão simples quanto escolher o que e quando vai comer, ou o quanto pode gastar nas suas idas à rua (um perigo, pois ele tornou-se perdulário e compra quantidades excessivas de qualquer coisa que vê pela frente).

Agora a Finlândia está usando uma abordagem diferente. A cultura local valoriza muito a autossuficiência – eles brincam que um pesadelo para o finlandês é ter que dizer “bom dia” para o vizinho – e isso vale também para os mais velhos. Porém, como não descambar para o isolamento, que é péssimo para o desenvolvimento cognitivo e emocional do senior, além de perigoso? Simples: tecnologia!

A área de gerontotecnologia é uma das que mais tende a crescer nos próximos anos. Assim, um combinado de tecnologias está a serviço de monitorar os maduros. Pulseiras com GPS e sensores nas portas para localizar as andanças e alertar sobre saídas de casa em momentos de confusão mental; assistentes virtuais domésticos que monitoram eventuais quedas ou a quantidade de idas ao banheiro (que podem indicar problemas urinários), ou que alertam para horários de tomar medicação; sensores nas geladeiras e armários que monitoram os estoques de alimentos usando tecnologia RFID (tags embutidos nas embalagens dos produtos); botões de alarme e discagem rápida para acionar assistentes sociais ou parentes; e uma série de atividades virtuais que vão de atividades em grupo realizadas online – como refeições e ginástica – a jogos e passatempos digitais.

Exemplo: a MariCare Oy, que espalha sensores pela casa, capazes de ligar luzes no piso, monitorar quedas, aberturas de portas e janelas. Veja o video:

MariCare, tecnologia de ponta para a segurança de idosos

Já a Benete se diz especialista em análise de dados para o bem-estar (Wellbeing Analytics as Service) com foco na população mais velha. Com sensores que monitoram o espaço físico, algoritmos e inteligência artificial, eles mapeiam o comportamento diário habitual do indivíduo e o sistema é capaz de detectar anomalias, mudanças estranhas de padrão que podem indicar doenças ou problemas cognitivos, como desordem mental ou hábitos pouco saudáveis (de alimentação, higiene ou descanso). Dessa forma, é possível alertar médicos e parentes para um tratamento adequado, preservando por outro lado a tão amada independência que muitos maduros preferem ter.

O certo é que ninguém sabe o que vai lhe acontecer no futuro, mas é bom descobrir que já existem tantas empresas e governos se preparando para lidar com o segmento dos maduros. Num outro post mais à frente, vamos mergulhar na gerontotecnologia, onde até o Google está investindo pesado. Aguardem!

1 comentário

  1. Boaaa !!! Patricia!! Para mim goi muitoooo util, pois estou com o meu esposo passando por essa etapa da vida em virtude tbem da troca de 3 válvulas. Ele tem 76 anos. Relativamente novo para os tempos de hoje. Mas com a cirurgia, acho que os problemas aceleraram! E daqui a pouco serei eu,?que ja tenho 63 anos.🙏🙏 com saúde para cuidar do meu esposo. Parabéns, pela postagem.abs

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