Sergio Farias: de bancário a biógrafo aos 47 do 2o tempo

Ele foi meu orientando numa pós-graduação da UFRJ, embora tenhamos a mesma idade, 55 anos. Naquela altura, era um alto executivo de carreira do Banco do Brasil. Mas surpreendeu a todos ao tornar-se escritor aos 47 anos, abrindo uma nova carreira de biógrafo de astros do pop-rock como Lennon, Ringo e Peter Tork. E a produção está intensa! Com a palavra, Sergio Farias !

Comecei a criar histórias tão logo me alfabetizei. A primeira vez que me lembro de ter feito algo que chamou a atenção, foi no verão de 1971-1972, ao criar um enredo fictício do Brasil, baseado nos personagens que estampavam as cédulas de dinheiro da época. Como eu também desenhava, logo ele se transformou em quadrinhos de aventura. Já na adolescência, descobri o rock e me tornei beatlemaníaco, o que se refletiu na minha escrita, pois passei a fazer HQs sobre a trajetória de uma banda de rock, inspirada nos Beatles, claro. 

Aos 19 anos, achei que era muito infantil continuar neste formato de HQ, então passei a escrever para teatro. Fiquei quase dez anos no meio teatral, embora soubesse que não era bem o que eu queria. Paralelamente eu, que havia entrado no Banco do Brasil como boy aos 14 anos, aos 18 fiz o concurso e comecei uma carreira administrativa no banco. 

Perto dos 30 anos, embora já tivesse registrado um peça na SBAT e trabalhasse como assistente de direção do dramaturgo Domingos Oliveira, certo dia vi um jornal de música numa banca, com os Beatles na capa – e obviamente o comprei. Achei as matérias deste jornal de fato boas, algo não usual na época. Descobri que o editor era o Marcelo Froes, um amigo de adolescência e outro grande beatlemaníaco. Lembro de ter ligado para ele para parabenizá-lo, e sem compromisso pedi para escrever um artigo para o jornal – sobre os Monkees, outra banda da qual eu era um ardoroso fã. Ele topou, e minha vida mudou.

Os Monkees se tornam um sucesso na TV

Se as HQs eram infantis, e o teatro não era a minha linguagem, eu me encontrei escrevendo artigos sobre o pop-rock das décadas de 60 e 70. Lembro que ficava ávido para chegar em casa do trabalho no banco, me sentar em frente ao meu 486 (alguém lembra?) e começar a escrever.

Era 2004, minha esposa estava grávida e meu trabalho no banco me obrigava a viajar pelo Brasil quase toda semana. Na paralela, seguia emendando uma pós-graduação na outra, tendo como objetivo minha ascensão profissional no BB. No entanto, àquela altura, biografar artistas da música “estava no meu DNA”

Em outubro de 2011, aos 47 anos de idade, lancei meu primeiro livro “John Lennon Vida e Obra”, e foi uma segunda revolução na minha vida. O retorno foi incrível e, após uma mini-turnê de lançamento, iniciei em janeiro de 2012 a biografia de Peter Tork, o baixista dos Monkees. 

Eu continuava me dedicando ao Banco do Brasil, mas sabia que à beira dos 50 e com mais de 30 anos de casa, a aposentadoria estava se aproximando, e que após largar o banco, a carreira de biógrafo seria exclusiva. E priorizei tirar férias e ir aos Estados Unidos, para uma convenção sobre os Monkees. Em junho de 2018, após 39 anos de casa, me aposentei do BB. 

Quatro meses depois, lancei meu segundo livro, “Love Is Understanding – a vida e a época de Peter Tork e os Monkees”. Aposentado, pude então fazer uma turnê por 10 cidades, incluindo Lisboa e Buenos Aires, e mais oito capitais pelo Brasil. Agora estou trabalhando pela tradução deste livro para o inglês.

Sergio Farias e os Monkees

Um ponto fora da curva foi que, ao entregar a bio sobre Peter Tork para a editora, em março de 2018, escrevi um romance erótico policial que vou lançar em novembro de 2019 sob o título “Manipuladoras”. Digo ser algo incomum, pois não creio que vá seguir como romancista, pois já estou terminando a bio sobre o Ringo Starr, que devo lançar em em meados de 2020, data na qual o baterista dos Beatles fará 80 anos. Diga-se, em muito boa forma e trabalhando. 

Quanto a mim, já tenho uma ideia para próxima biografia, mas seria prematuro dizer algo. Aguardem a surpresa! 

Quero agradecer a Patricia e  Simone pela oportunidade.

Forte abraço a todos (as)


Bateu uma nostalgia? Na gente também. Então aumenta o som e assiste aí dois clips inesquecíveis dos Monkees!!!

I’m a Believer (1966)

Canção-tema da série de TV (anos 60)

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