Desculpa aí, Aquaman!

Ano passado, zapeando os canais da TV por assinatura, acabei trombando com um documentário sobre a façanha da veterana Diana Nyad, de percorrer a nado os 177km que separam Havana/Cuba e Flórida/EUA. Foram três tentativas mal sucedidas a partir dos 28 anos, devido a condições que poucos seres humanos suportariam, até a vitória retumbante aos 64 anos de idade. Sim, você leu direito. Essa “senhora” fez o que nenhum outro atleta, jovem ou velho, homem ou mulher, conseguiu fazer. Atravessou o Estreito da Flórida, infestado de tubarões, águas vivas venenosas, fortes correntes marinhas, frio e tempestades, sem a proteção de uma jaula, como seus antecessores.

Sua primeira tentativa foi ainda jovem em 1978, dentro de uma jaula contra tubarões. A traquitana atrapalhou muito os movimentos e Diana desistiu. Abandonou a carreira de nadadora e tornou-se uma comentarista esportiva reconhecida.

Quando sua mãe morreu, Diana teve um estalo: quanto tempo mais de vida teria para realizar o seu sonho? Resolveu tentar de novo em 2011, aos 61 anos, mas muitas dores no ombro e um ataque de asma abortaram a travessia. Menos de um ano depois ela persistiu, mas esbarrou num cardume de águas-vivas, que têm um dos venenos mais letais do mundo. Seu médico entrou na água para acudi-la, foi picado também e teve que ser resgatado para o barco uivando de dor. Diana prosseguiu mais algumas horas apesar da dor, mas afinal teve que ser retirada da água após 41 horas nadando, pois não conseguia mais respirar devido ao veneno. Todos pensaram que ela ia morrer, e foi de cortar o coração ver aquele sonho despedaçado.

Em 2013, a mulher de aço reuniu sua equipe novamente, e se dedicou a uma última tentativa. Eram 35 pessoas, entre mergulhadores para espantar tubarões, remadores de caiaque, médicos, nutricionistas, sua treinadora e amigos. Todos sem ganhar nada, querendo apenas testemunhar aquela força da natureza e ajudar no que fosse possível. A regra era clara: ela não poderia sequer encostar em qualquer das embarcações, e a cada 90 minutos era hidratada e alimentada de longe com comida pastosa, nadando dia e noite por três dias seguidos, sem dormir e praticamente sem paradas.

Dessa vez, Diana usou uma roupa que cobria todo o seu corpo, inclusive uma máscara de silicone para proteger o rosto das águas-vivas. Ela teve que treinar meses para se acostumar com aquela membrana que só deixava o nariz e a boca livres, e atrapalhava a respiração.

E finalmente, no dia 2 de setembro de 2013, perto do meio-dia e após 54 horas de travessia, aquela figura cambaleante e ligeiramente desnorteada saiu do mar em direção à areia da praia em Key West, onde uma multidão de torcedores, muitos jornalistas e mais gente de sua equipe a aguardavam, entre preocupados com o seu estado e encantados com sua façanha! O rosto inchado pelo sal e pelo sol, bastante desidratada, ela estava bem. E entrou para o Guiness Book of Records.

“Tenho três mensagens: a primeira é que nunca jamais devemos desistir; a segunda, nunca se é velho demais para perseguir um sonho; a terceira, é que parece um esporte solitário, mas é um trabalho de equipe.” – Diana Nyad

Que ingredientes você acredita terem sido fundamentais para essa vitória?

  1. Ela já ter um bom condicionamento e estar acostumada com situações de grande stress físico, por ter sido atleta de alta performance?
  2. A força do sonho dela diante da sensação da finitude da vida, do pouco tempo precioso que teria pela frente?
  3. Sua enorme resiliência emocional e moral, que lhe deu forças quando parecia não haver mais de onde tirar?
  4. O comprometimento com uma missão, que envolvia outras pessoas às quais não queria decepcionar, incluindo a si mesma?

Uma coisa é certa: a história de Diana Nyad é muito inspiradora e uma lição para todos nós. Desculpa aí, Aquaman, mas sem nenhum superpoder, essa senhorinha botou você no chinelo.

1 comentário

  1. A força de realizar o sonho. Os sonhos , no meu ponto de vista, é o nosso destino. E já foi nos dado por Deus, Nosso sonho é real, basta escolhermos, persistir ou desistir. Eu acredito desde muito cedo nos sonhos, nos nossos desejos de sermos o que viemos ser. Esse caminho não é fácil, mais é mágico e real. Tão real , que quando deixamos de sonhar, vem a tristeza, o desânimo… Então, vamos sonhar e persistir até realizar! Não importa como, o que irá fazer a diferença é Nossa Fé! Perseverança! Maria Christina

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