Balança, não cai e ainda sapateia por cima – uma história de superação inacreditável

Quando conheci a Lilian Moss, que é uma espécie de “sogra postiça” do meu irmão, fiquei entre espantada e maravilhada com a sua história de superação, que daria um enredo de filme. E adquiri uma imensa admiração por ela. Está duvidando? Então veja por si mesm@! Mas se prepara, porque vem aí uma montanha-russa!

“Eu nasci em 1941 em São Cristóvão, um subúrbio carioca, e aos 7 anos mudei com meus pais para o bairro do Catete. Primeiro moramos num quarto de pensão e depois fomos para um apartamentinho “quitinete”, do qual só saí quando me casei como Marco Aurélio em 1965, ano em que me formei em Matemática pela antiga Faculdade Nacional de Filosofia.

Eu e meu marido Marco Aurélio, já aposentado, curtindo a vida

A partir dali a carreira do Marco nos carregou num vaivém danado entre Recife, Curitiba, Brasília e finalmente São Paulo, onde vivo até hoje. Eu era a típica “esposa de executivo” bem sucedido. Mas aos 45 anos, insatisfeita em ser somente “do lar”, cogitei em retornar aos estudos iniciando, na minha opinião, um processo de superação de crenças limitantes que são colocadas nos nossos cérebros!

Assim, em 1986 resolvi encarar um cursinho de vestibular para Psicologia. Passei na USP e na PUC e optei pelo IPUSP. Fiquei muito orgulhosa de mim mesma, porque competi por uma vaga com a “garotada” de 17 a 20 anos saindo das escolas, e eu há 20 anos sem estudar.

No primeiro dia de aula, entrei na sala e fez-se aquele silêncio característico de: a Professora chegou! Eu queria desaparecer. Dei um bom dia e me sentei na primeira carteira que vi. Na segunda ou terceira aula, o professor disse: – Agora formem grupos! Pensei: ninguém vai me convidar e também não pedirei para participar, então farei o grupo do EU sozinha, caso o professor permita. Mas para minha surpresa, algumas colegas me convidaram e somos AMIGAS até hoje!

No 3o ano passamos a estagiar nos atendimentos à comunidade e no instante em que a secretária chamou meu nome, me dei conta de que ali eu não era a mãe dos meus filhos, a esposa, a filha, enfim EU era uma pessoa!!! Esse insight foi LIBERTADOR.

A formatura estava chegando e eu deixaria de ser estudante para ser uma profissional, mas estava prestes a fazer 50 anos… Ao entrar na faculdade eu pensava que quando eu terminasse estaria VELHA para iniciar a trabalhar e voltaria a ser “do Lar”. Porém, eu estava muito bem obrigada. Enfim pronta para iniciar a trabalhar. Certo? NÃO, o pensamento que vinha era: NINGUÉM começa a trabalhar aos 50 anos!! Seguiu-se um período de ansiedade e stress.

Resolvi então que iria viver o presente e deixar para resolver esse problema quando ele de fato ocorresse. No dia do meu aniversário, um casal que havia se formado no ano anterior me procurou e propôs dividir um consultório. Nossa, o Universo me  mostrando o caminho a seguir. Assim, comecei a trabalhar em 1992 e continuo até hoje. Abri uma empresa chamada CERES na qual dei cursos, palestras e workshops. Tudo ia bem – filhos criados e eu realizada como mãe e pessoa. Eis que a Vida me colocou um gigantesco desafio: minha filha de 29 anos foi sequestrada e morta pelos bandidos!!!!

Ali foi a grande e verdadeira luta pela minha sobrevivência. Há um ditado que diz: Deus fecha uma porta e abre uma janela! Perdi uma filha em julho e ganhei um neto dezembro de 1999. Meu neto me motivou a sobreviver à perda. Obrigada Arthur.

Eu e meu filho Marcelo em New Orleans

Mas eu ainda seria testada MUITAS vezes. Em 2001 descobri um câncer no intestino, que segundo os médicos seria consequência do trauma de 1999.
A  Vida me deu um ultimato: continuar ou desistir.
Operei, retirei 18 cm do intestino e de quebra a vesícula. Foram 29 sessões de quimioterapia e 7 radioterapias. Mesmo assim continuei trabalhando logo que saí do hospital, atendia por telefone em casa. “Curada” optei por superar as sequelas da doença. Em 2003 exames periódicos acusaram uma recidiva. Isso era esperado pelos médicos, não por mim.

Segundo eles eu tive sorte! Por que? Porque foi no fígado e ele se recupera. Beleza. Nova operação, 19 quimios e eu resolvi que não faria mais, cansei. Meu oncologista veio falar comigo. Porque não quer continuar? -Não tenho mais condições psicológicas! Seja o que Deus quiser! Segui vida normal, tentando superar as sequelas. E ganhei mais uma neta em 2005, a Fernanda.

Em 2006 eu resolvi que eu vinha sobrevivendo, mas que dali em diante eu iria VIVER!!! Obrigada, meus NETOS. Daí vejo um anúncio: Aulas de dança do ventre para 3a idade. A professora Soraya Brandal aceitou o desafio de ensinar para uma senhora de 65 anos! Com muito carinho, paciência e dedicação, conseguiu me levar para o studio dela e a vencer novos desafios:
1) participar de um grupo cuja maioria tinha de 25 a 35 anos e eu tinha 65
2) me apresentar num palco não só de dança do ventre, mas também flamenco.

No studio Ayaros, pronta para meu momento odalisca

A vida voltou ao normal. Estava VIVENDO !!! Mas em 2011, meus exames periódicos apontaram um câncer desta vez na tireoide. Ok não era recidiva, e lá vinha outra cirurgia. Exames preparatórios e… câncer no pulmão! Fevereiro opera tireoide, mês seguinte o pulmão. E desde então me trato com Reiki, Acupuntura, Dança, Praia, Viagens e Trabalho. Vida normal.

Ocorreu de eu vir a conhecer a professora Angela Fonseca para que outro sonho fosse realizado. Para quem não sabe, BATA de COLA é uma dança flamenca cujo figurino pesa de 1,5 a 2 quilos, e que exige equilíbrio e força nas pernas. E a Angela teve a coragem de acreditar que uma SENHORA de 74 anos podia aprender esse tipo de dança, e mais, se apresentar no palco! Por conta dessa aventura, outra senhora de 63 anos com recidiva de câncer também resolveu aprender e nós três demos um show!

Outra amiga minha com 73 anos também resolveu aprender e, em 2018, eu com 77, Manuela com 75, Ana com 65 e a Angela nos apresentamos em Bata de Cola, Sevilhana e outros ritmos flamencos.
Essa minha última apresentação de Bata foi horrível, errei quase toda a coreografia, mas com isso eu venci mais um desafio. Errei mas continuei no palco tentando acertar, o que fiz 
no final da coreografia. E acertei nas outras danças.

Palmas para mim! rsrsrs

SIM, LILIAN, MUITAS PALMAS PARA VOCÊ. (e aí, pessoal, eu não disse que daria um filme?)

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