Quais os seus sonhos?

Em 2015 uma amiga de adolescência, a Vera Lorenzo, apareceu com uma ideia que parecia maluca: estabeleceu 50 coisas para fazer antes dos 50 anos. Faltavam poucos meses, e as metas misturavam coisas simples (como aprender a cozinhar e poder convidar os amigos para um jantar em casa feito por ela), até outras bem ambiciosas. Ela criou um blog para registrar o progresso do projeto, e depois publicou um livro, porque conseguiu realizar TODAS.

Assim, pouco a pouco fomos vendo fotos e filmes da Vera pulando de pára-quedas, voando de asa-delta, nadando com golfinhos, fazendo bungee-jump e stand-up paddle, completando meia-maratona com o filho e perdendo 20 quilos, realizando uma festa de princesa (sim, ela estava vestida como uma) e por aí vai. Já não duvidávamos de mais nada, exceto uma meta que nos pareceu inatingível, porque não dependia da grana ou do empenho dela: encontrar um amor e se casar. Os 50 anos chegaram e nada… mas dali a um ano, Vera estava casada com o CEO de uma grande empresa, vivendo na ponte-aérea RJ/SP, um amor platônico de muitos anos antes, quando ambos ainda eram casados com outros. Inspirador…

Tanto que eu me animei a fazer o mesmo. Tinha um pouco menos de tempo que ela, seguramente menos verba para investir, mas fiz assim mesmo. O primeiro desafio inesperado foi conseguir listar as 50 coisas. A gente precisa fazer um exercício muito profundo de auto-conhecimento e sinceridade consigo mesma para escrever o que realmente queremos. Que sonhos foram adiados, afastar crenças limitantes dos “não-podes” e “impossíveis”, fazer uma declaração nua e crua dos nossos desejos verdadeiros e se permitir ousadias.

Na minha lista, que chamei de 50 Metas antes dos 50, coloquei coisas tão (aparentemente) tolas como deixar a cama desarrumada um fim de semana inteiro, tomar Aperol Spritz, o drink da moda, ou aprender a fazer ceviche, quanto viagens, muitas viagens. Nessa onda, fiz aula de canto e cantei em três shows com meus colegas de FGV na banda The Teachers, aprendi decupagem, fui em praia de nudismo, me fantasiei de Mulher Maravilha e muitas outras coisas que fui registrando no meu blog.

Mas, diferentemente da Vera, resolvi também olhar para trás e valorizar tanta coisa incrível que eu já tinha feito.

Esse movimento me deu um susto! Quando comecei a listar, percebi uma vida rica e bem vivida, senti uma enorme admiração pelas minhas conquistas, e a sensação de “falta” (o que ainda queria fazer) foi substituído por outro de amor-próprio. E me acalmou o coração. Não é perder a fome de viver, deixar de sonhar. Isso eu sempre vou cultivar. Mas é ser grata e se permitir enxergar as histórias bacanas que você já tem para contar, por mais simples e “tolas” que elas possam parecer. E aí, se muitos dos seus sonhos não puderem ser realizados, que pena, mas você estará em paz, pois terá encontrado o sábio equilíbrio que a maturidade nos traz, entre o passado e o futuro.

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